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Decadência


Decadência



O chão é mácula de pecados refeitos,

A tentativa subtil de juntar os pedaços

Que escorregam e nos caem dos braços

Manchando de dor os ladrilhos baços

No compasso do relógio que abranda

Só para nos ver dobrar e quebrar,

Largar a vida rasgada para ser pisada

Mais fundo que o nosso fundo não há.


O chão é berço de um bom nascimento

Mas também o caixão de uma má morte

E não há quem não tenha essa sorte,

Dá-me a tua mão, dou-te a minha mão

Que no peito são intestinos, não coração

E toda a porcaria que lavámos na vida

Está afinal escondida bem dentro da pele

Tão à vista que cega a vista e não vemos.


O chão é refúgio para qualquer alma,

Melhor amigo que o nosso melhor amigo

Está sempre lá quando nós caímos,

Ampara o corpo com a dureza da verdade

Recebe tudo da impureza à castidade

Não nos empurra para cima até ser tempo

Que o desespero é cálido por um momento

E mentira que ergue é mentira que derruba.


O chão é promessa de nós dois juntos

Certa e segura como caminharmos na ruína,

A base e o sustento, e o leito do desalento

Trémula firmeza quando nos derramamos

Somente carne e ossos, e lágrimas e sangue,

E sonhos pejados da imundice do vício,

Memórias violadas pela independência,

Arrependimento, desilusão e decadência.



Raquel Martinez Neves

26-Ago-10

Nightmare Revisited


Nightmare Revisited


O delírio é o mesmo de sempre, prometo

As cores, as luzes, os sons. Esta música

A ilusão é pintada uma e outra vez

Com a palete negra e branca do desespero

Os flashes vêm e vão. Não sei o que vi

A história é sempre a mesma, prometo

Corro, corro, sentada entre as almofadas

Quero, quero, mas as cortinas não abrem

A escuridão é densa como o arco-íris

Mas não há tesouro se encontrarmos o fim

A esperança já não é a mesma, lamento

Continuo a visitar este lugar insensato

Como derrotado no palco do seu fracasso

Em busca de não sei que palavras de consolo

O não é certo e a recusa não é moderada

Sei que não vou continuar para sempre

O vidro do espelho é cada vez mais baço

A fotografia de mim também não é igual

O olhar demora-se na tentativa de ficar

De não cair de novo na letargia do sono

É como uma pequena morte passageira

O medo sim morou sempre aqui, declaro

Mas mais claro é a luz do dia a perder

Cada madrugada comida pela ignorância

Não ver nunca o sol nascer para o mundo

Afundada na sombra inconsciente de mim

Uma noite prolongada no tempo da vida

Ganhando ao dia as horas que ele roubou

Mas frágil, perco sempre a batalha

Cega nas possibilidades do amanhã

O desejo de despertar é eterno, confesso

Tal como inútil a necessidade de adormecer

Perder as estrelas para uma real escuridão

Ceder a paz do silêncio para o vazio deste

Esquecer o que ficou e o que me espera

Para encontrar um sonho que é mentira

E a loucura é bem maior sonhando, garanto

Inchada dos receios e memórias distorcidas

Segreda-me que sonhar não se faz a dormir

Porque este sono é subtil pesadelo

Todas as noites revisitado


Raquel Martinez Neves

28-Jul-10

My Own


My Own


I’m not quite shore

Please, say to me what’s right

Little pieces come together

But big ones still apart

I’m not by your side

Indeed, I’m not anyone’s side

I’m not even on my side

I don’t understand

I don’t know. What’s wrong?

Sun doesn’t look bright

Blue it’s not blue. It’s grey

I’m not quite shore

What I am doing here?

Hold my hand, stranger. Please

Guide me through the night

Explain me how to behave

Tell me what was the mistake

I’m not quite shore


Maybe I should have more things

To call my own



Raquel Neves

29-Maio-2010

The Ballerina


The Ballerina


It was dark

Dark as the night without moon

and stars

But she was a star

A star that everybody loved

Even who’d hated


It was sad

Sad as the soft piano gothic music

slowly enchanting

But she was fast

Cutting down the hopes

That nobody thought had


It was breathtaking

The way she moved and fell

The way she slipped and lifted

The way she flew

right to heaven

Poor lost shinning beauty


It was a shame

A shame that nobody can pay

or excuse

Red rose blood in the floor

White rose face

And eternal closed eyes


It was forever

Forever forgetting and forgiving

the earlier death

Now becoming truth

Sweet deep black dream

No more tears to hide


It was the last

The last time in the stage facing him

and everyone else

But she made it

One single perfect last dance

A really curtains closing


It was the end

The end of the ballerina love story

and also a start

An angel rising to peace

Only a distant memory of life

That he’s about to catch...



12-Abril-2010

Based on “Memórias Esquecidas”

Raquel Martinez Neves

Uma Família de Luto


Uma Família de Luto

A casa está cheia
As vozes ecoam
Uma, duas, três línguas
Dizem palavras iguais
Que se perdem nos ouvidos
E se repetem
Uma e outra vez

A história é a mesma
Sempre, a cada voz
Enquanto houver ouvidos
Ela será contada
E as mesmas lágrimas caem
Por olhos azuis
Verdes e castanhos

O silêncio é proibido
Antes a realidade crua
Que a frieza cortante da memória
Antes ouvir o que aconteceu
Que pensar, na quietude,
No que irá acontecer
Amanhã, e depois, e depois

Como fantasmas com cor
Cruzam os corredores
Não têm que fazer
Não têm o que mais dizer
Na urgência de algo que ocupe
Enche a cabeça errante
Afaste a consciência

Conversas murmuradas
Há palavras que não se pode ouvir
Peso martirizante da verdade
E então desespero de causa
Algo, não importa o quê
Não ajuda a esquecer
Mas ajuda a não pensar

Receio pelo amanhã
Certeza de muitas lágrimas
Terror que enche o coração
Saber que não será sonho
Morte à esperança
De acordar de um pesadelo
É real, dolorosamente real

Nesta casa cheia
Não é menor a saudade
Não é menor a solidão
Nesse abraço apertado
Não são menos as lágrimas
Por vê-las nos outros olhos
É somente maior o amor

Raquel Neves

Colorir Memórias


Colorir Memórias

Não vou colorir memórias
Pintá-las da cor que não são
Tornar o preto dourado
E apagar a desilusão

Engano de alma
Cai como dominó
Olhar de mentira
Espelho da verdade
Segredo de voz calada
Luzes de fachada

Risos sem graça
Cortam nó na garganta
Palavras tão pensadas
Que no final não valem nada
Correm todos os ouvidos
Deixam esses olhos esquecidos

Não vou colorir memórias
Não foi como devia ser
O preto era preto
Não viu quem não queria ver

Cansada vida
Casada por obrigação
De amor queimado
Sob as labaredas do tempo
Por coração fiel
Por recordações de papel

Branca rosa murcha
Gesto sem significado
Estar por estar
Dançar por dançar
E corpo que grita pára
Ignorância de luz clara

Não vou colorir memórias
Acabaram-se as tintas
Noite a preto e branco
Espero que tu o sintas

Gritar: vê-me
Gritar: ouve-me
Gritar: eu continuo aqui, fala comigo, olha para mim!

Não vou colorir memórias
Mente que mente
Olhos pesados que não vêm cores
Alma que sente
E esconde...

E esconde...
Colorindo memórias

Raquel Neves

Sem Cor


Sem Cor

Angústia
Ritmo de palavras
Medo de escrever
Nó na garganta
Lágrimas nos olhos
Tristeza de viver

Eterna Esperança Esquecida
Dor
Dor
Dor

Límpidas Lágrimas Livres
Sem cor
Sem cor
Sem cor

Pobres Palavras Perdidas
Amor
Amor
Amor

Suspiros de vento
Sorriso ao luar
Nostalgia calada
Amargura
Olhar sem brilho
Madrugada condenada

Céu alvo
Nuvens de algodão
Sol de coração
Só cor
Sem dor
E sem amor

By Butterfly

Strangers


Strangers

Back to the past
I see best friends
So many afternoons
Laughing, smiling
Together for ever
We said
Friends forever
We promised

Complements
“Perfect, magnificent,
My angel without wings”
It was just enough
So truth…
And now a lie
Time pass slowly
Changing everything

One day to another
Nothing was the same
Tears in my eyes
Solitude in my heart
Where gone my friends?
Do I ever have them?
Did I know them?
‘Cause now they are

Strangers
Perfectly strangers

Conversations without meaning
The last to know everything important
Never more a confident
No more secrets to keep
Just someone they know
They talk and they act like friends
But in the deep of our heart
We know we’re strangers

They’re not who I met
I just can’t trust them anymore
Always quiet in their conversations
One or another word to say
Never understood
Can’t break apart but
Bu in the day I had to leave them
I know it won’t cost me anything

They’re just memories
Of an old friendship
That’s a ghost now
And we are strangers

Strangers
Perfectly strangers, my friends
Strangers

By Butterfly

Fim da Linha


Fim da Linha

Não há muito a dizer quando as palavras acabam
Nenhum sorriso para colar nesses lábios
Nenhum relampejo de brilho para iluminar esses olhos
Nada que apague a expressão triste, cansada
Que sobra quando já não há nada para explicar?
Quando é tudo tão óbvio que não precisamos de o dizer?
Como podemos então responder às perguntas insistentes
daqueles que olham mas não vêm
Que não tentam perceber
Os olhos fechados que dizem mais que a boca aberta
A música que só serve para abafar essas vozes
Não é preciso lágrimas
A dor silenciosa é tão mais angustiante
Tão mais forte, contínua
O rosto trancado, a legenda que ninguém lê
Quando não se grita, os outros não ouvem
Mas lágrimas também são palavras
E eu já não tenho nada a dizer
Vazio e escuridão
Silêncio

By Butterfly

Lies


LIES

I swear for no more
Do you believe me?
Of course not
We are liars
We can’t say the truth

There is no truth

Why not broke a promise?
Why not broke a life?
What’s for?
Live, die
Lie

Fall it’s not a choice

We could have everything
But we waste it
Stupid!
It sounds better that way
We chose it

What a lie!

It has no meaning
Worlds don’t make sense
Tears are just water
The globe is covered with it
Isn’t it?

Salt is not sorrow

I hate this dream
It only can be a dream
A nightmare more precisely
Never the reality
Who would choose hell?

We do!

I want stop
No more, never again
I need some love
Lies! Lies!
Will we ever fix it?

I don’t think so

I would like to forget it
How far can we go…?
But we still here
Blinds and… just blinds
Where is the light?

Our eyes live in the darkness

So what?
Few more worlds
Few more lies
One tear in the sea
Would change anything?

By Butterfly

Answer Me


Answer Me

Did I know
What’s wrong?

Did I know
When was the mistake done?

Did I know
Why?

When did I become invisible?
When did I become less important?
When did I die for you?

I thought you saw me
Like you use to see me everyday
When did you become blind?
When did you start to close your eyes?

Did you know
When?

Did you know
What I’ve done wrong?

Did you know
How to fix the mistake?

When did we start to forget each other?
When did we stop to talk?
When did we become strangers?

You know that something happen
Was it my fault?
We’re not truly okay
When did the silence replace the laughs?

Did you know
How we get here?

Did I know
Why am I crying?

Did you know
What happen to us?

When did the lie begin?
When did the word friends lose the sense?
When did the friendship vanish?

Since when
I can’t talk to you?
Since when
I fell so alone?

I want to change it
But I don’t know what we or I did wrong
Did you know?

By Butterfly
(Para todos menos para ti)

Ilusão


Ilusão

Nada
Eu não pedi nada disto
Não queria
Não precisava
Mas disse que sim
Convenci-me que sim
Como estava enganada…

Queria silêncio
Queria sentir-me quente
Um pouco de carinho chegava
Um pouco de preocupação
Saber que mais alguém se interessa
Que o meu nada
É importante para alguém
Que a minha felicidade
Seria a felicidade de alguém
Mas não...
Os sorrisos são bem-vindos
Somente porque ficam bem
E as lágrimas desprezadas
Não porque magoam
Mas porque borram a pintura

Eu não quis isto
Nada disto
Mas ninguém percebe
Que não era a minha vontade
Que só o desejei
Porque estava certo
Como estava enganada…

Queria apagar palavras
Mas mais queria apagar pessoas
E a forma como elas me fazem sentir
Queria fazê-lo tudo de novo
Deitar fora o que é fútil
Ignorar quem não é importante
Queria também não ter de o fazer
Queria que percebessem
Mas não se ensina ninguém a amar
A me amar…
Antes ser invisível
Às vezes sinto que não mudaria grande coisa
Talvez apagasse o esforço
Para que alguém olhasse para mim
Para que realmente me ouvisse

Nunca sonhei com nada disto
Jamais o desejei verdadeiramente
Fora uma ilusão cruel
Julgara que precisava disto
Como estava enganada…

By Butterfly

God, you left me


God, you left me

God,

This message is for you
I swear it is true
Lying here in the ground
I wrote it in blood
With pieces of heart

God, you left me
Screaming
Bleeding
Crying
Dying

God, you left me
Falling down
God, you left me
I don’t know how

God, you left me
Drop my tears
God, you left me
Hide my fears

God, you left me
Here at night
God, you left me
Broken inside
God, you left me
So in the dark

God, you left me
Falling down
God, you left me
I don’t know how

God, you left me
Screaming
Bleeding
Crying
Dying

God, you left me
Fall
God, you left me
Falling down
God, you left me
Down

And I hope you’re listening
These words
‘Cause they will be the last ones
I’ve ever said

By Butterfly

Sick


Sick

You don’t know what I’m saying
You can’t even imagine what I feel
I feel sick
Tired
I want to sleep a week
A month maybe
Or better
I want sleep in the day
And wake up at night
To be here
Reading
Writing
Because these words, are the only ones
Who give some sense to my life
And you probably don’t understand it
You don’t care
I’m cold do you know?
Maybe frozen it’s the right word
But there are no right words
And I’m so sick
That for me,
Now
They are all wrong
They don’t make any sense
Are empty,
Like someone has stolen their meaning
But certainly
It’s my problem
I’m sick
Ill
And there is no disease
No cure
And you can not understand me
I don’t even know if you hearing what I say
Can you see my lips moving?
The words I scream
In a whisper
Because my voice is weak too
And some day,
I won’t have voice to say your name
To call you
But who cares?
You don’t
I know it since your eyes left mines
And your hands stop holding me
I realize at this time, that it was the end
And the begin
Of my sickness
Can you understand you’re the reason?
For you I didn’t sleep
I didn’t eat
I almost didn’t breathe
Do you know that you’re my cure?
I know you know
But you don’t even want to save me
And I can’t control your words anymore
You’re free like you always wanted to be
However,
I still depend on you
Your blood belongs to me
Your feelings are mines
And without you
I’ll be forever
Sick

By Butterfly

Frustração


Frustração

Sentes as lágrimas?
O aperto no peito
A vontade de chorar?
Vês o erro diante dos teus olhos
Tão nítido
Tão óbvio
Como se sempre soubesses
Como se fosse proibido
Errar…

Sentes a angustia?
A raiva contida
A vontade de partir algo?
Vês como ignorante foste
Cega
Ingénua
Quando sabias tão bem
Quando jamais podias
Errar…

Sentes o tormento?
A culpa
A vontade de te magoares?
Vês a ambição como algo impossível
Desfeita
Destruída
E estava tão próxima
Bastava não
Errar…

Sentes a frustração?
O arrependimento
A vontade de voltar atrás?
Vês no perfeccionismo uma maldição
Eterna
Inquebrável
Que te obriga à auto-punição
Simplesmente por
Errar…

By Butterfly

Tears, again


Lágrimas, outra vez

Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Será que algum dia vão parar?
Receio bem que não…
Se fossem doces
Acabariam com a seca no mundo
Mas são salgadas
Não, são ácidas
E dolorosas
E não têm fim
Vêm do fundo do poço em que caí
Onde me afogo
Lentamente
Onde o ar é consumido por mágoa
E transformado em lágrimas
Quanto tempo levará
Até morrer sufocada?
Já sinto dificuldade em respirar
Dói-me o coração
A cabeça não
Está demasiado vazia para doer
Faltam-lhe memórias
Sorrisos
Palavras doces
Que desbotaram com as lágrimas
E a sua negra tinta
Fluiu de meus olhos
Manchando a minha pele
De saudade
E então
Elas pararam
Mas por agora
Sei que voltarão
Para me roubarem outro pedaço
Do meu coração
E fugirem
Rolarem de meu olhar
Belas e traiçoeiras
Límpidas e negras
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Senhoras da tristeza
Pérolas de mágoa
Palavras silenciosas
Pedidos de ajuda
Dor materializada
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Quando parar de chorar
É porque me afoguei
Em lágrimas

By Butterfly

Destined to go wrong



Destined to go wrong

They fall
Even when my eyes are dry
They keep falling
Deep inside
They fall with me
Invisible
But painful

When it stops
For just a second
And I close my eyes
It seams so clear
So real
And they come again
To drown my soul

Was so unfair
Be the only one
So hard to believe
What I have done?
Nothing I guess
But somewhere
Someone disagree

And they fall
My heart gets tight
My face wet in colours
A salty pain
That broke my smile
Why?
I’m always the one who cry

How is to feel
The perfection turns to a lie
See them
Give up the fight
Left you behind
And no matter the tears
You have to forgive

And laying on the floor
It’s hard to forget
The disillusion
The disappointment
The injustice
‘Cause you always know
It was destined to go wrong

By Butterfly

10

Cry


Cry

I wanna cry

Just cry

Only cry

Seconds

Minutes
Days

Even nights


Cry until I have no more tears

Until I have an empty space in my chest

Cry until I can't breath

Until I can't remember why am I crying


I wanna cry
Release the tears

The pain

To forgive

To forget

Who let go

What they never get


Why life should be so hard?
If they're just fine, why must they change?

How could that love be so cold? What happen?
The Sun frozen it, didn't burn it


And I wanna cry

Forever
For now

Show to everybody

That it's wrong

Show them

How it hurts me


So where is the "together forever"?

The "friends forever"? The true friendship?
Was the distance so important?

Grow means say one thing and do the opposite?


So I wanna cry
In silence

Alone

And maybe one day

I'll wake up
And found that all of it

Has just change again

By Butterfly

To the ones who never read what I write


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